quarta-feira, 22 de março de 2017

Livro "Barring Mechanicals - from London to Edinburgh and Back, on a Recumbent Bicycle"





Imagine que gosta muito de andar de bicicleta que essa bicicleta é reclinada e que quer andar até não poder mais!


Fotografia constante do website da Challenge Bikes,

1. O Autor

Andy Allsopp é um ciclista que partilhou connosco o desafio que decidiu enfrentar: o Londres – Edimburgo – Londres (1.433 km).




Trata-se de um desafio extremo (realizar aquela distância em autonomia, i. e., sem um carro de apoio ou qualquer equipa que auxilie o ciclista, em até 100 horas) que é partilhado pelo autor nas linhas deste livro de uma forma bem disposta.


2. A história

O livro relata (em Inglês) a preparação de Andy ciclista e as contrariedades que enfrentou na prova. É muito interessante conseguir perceber como é que ele se preparou para o evento e como lidou durante o evento com a carência de sono, com o cansaço, com a chuva e com a alimentação.

A páginas tantas, a roldana da frente da corrente (que serve para manter a corrente de retorno, onde não é exercida a força de tracção, longe do garfo e da roda da frente) solta-se e sai a rolar pelo chão! Andy resolve esta situação colocando zip ties (aquelas pequenas fitas plásticas que servem para apertar cabos e fios juntos e que algumas forças policiais também utilizam como algemas) em torno do eixo onde ficava a roldana, evitando, assim que a corrente raspasse directamente no eixo, estragando-se a si mesma e ao quadro. Miraculosamente, há inúmeras pessoas que Andy vai encontrando ao longo do caminho e que lhe vão dando mais e mais zip ties! Consegue chegar ao fim com esta solução!

Uma outra contrariedade que teve foi a chuva, bem como o facto de a consequente sujidade ter criado Gremlins na transmissão... Os desviadores (da frente e de trás) foram ficando sem funcionar! Não tendo como limpar (e, talvez, não percebendo muito de mecânica para saber que seria preciso limpar bem e olear novamente a corrente e os desviadores durante a prova), Andy viu-se forçado a andar muitos kms sem conseguir mudar mudanças, tendo ficado primeiro preso na mudança mais pesada de trás (11 dentes), apenas a podendo conjugar com 39 ou 53 dentes à frente e, mais tarde, ficando preso na mudança mais pesada de todas: 53 à frente e 11 atrás! Para terem uma ideia de quão pesada é esta mudança, pensem que por cada rotação completa dos pedais se viajam quase 10 metros (na verdade, são exactamente 9,5 metros por rotação)!

São peripécias que o autor conta com bom humor e que podem manter o leitor preso ao livro.


3. As minhas impressões
 
O livro não é particularmente grande e talvez por isso também tenha um preço bastante acessível na versão digital, sendo de fácil leitura.

A escrita de Andy tem a capacidade de nos transportar para dentro deste desafio épico, dando-nos uma boa imagem da resistência física e, essencialmente, psicológica que é necessário ter para enfrentar estas distâncias.


Não nos são dados muitos pormenores técnicos (tirando os relativos ao bloqueio das mudanças e à utilização dos zip ties), pelo que para quem pretender um livro que contenha esse tipo de informação, acaba por não satisfazer tal desejo. 

Boa leitura!

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Andar de bicicleta durante a noite - Equipamento - Luzes de dínamo

Como expliquei no último post, para mim, as luzes, para além de iluminar bem, têm de estar sempre prontas a utilizar e têm de poder ficar na bicicleta quando é necessário deixá-la estacionada ou presa enquanto tratamos da nossa vida. Estes aspectos práticos também garantem que podemos andar sempre que quisermos e durante o tempo que quisermos ou precisarmos. O facto de serem práticas de utilizar também garante que estamos sempre mais seguros.

Sempre que participei em eventos de longa distância, em que se pedalou pela noite e pela madrugada fora, senti que o facto de não ter de me preocupar com a bateria das luzes foi uma grande vantagem: pude concentrar-me apenas em andar de bicicleta.

Com uma solução de iluminação permanente, é só montar na bicicleta e está-se pronto a andar, seja dia ou noite, sem termos de nos preocupar se temos ou não a bateria das luzes carregada; as luzes estão lá e estão sempre prontas a iluminar. 

Na bicicleta de estrada que podem ver abaixo tenho instalado um sistema da Bush & Müller que funciona exclusivamente com um dínamo de cubo (um Shimano Deore XT VR Dynamo T785 100 DH).

 
O dínamo está localizado no eixo da roda da frente.


Este tipo de cubos praticamente não tem atrito quando comparado com os antigos dínamos de garrafa, como os da imagem abaixo.


O dínamo de roda faz parte da própria estrutura da roda, constituindo o respectivo eixo. 


Vista do cubo de roda com o dínamo

Naturalmente, é mais pesado um pouco do que um cubo normal, mas gera 6volt de energia com 3W de potência sem se sentir que a está a produzir e sem qualquer ruído.


Estas são as luzes que tenho utilizado. Na minha opinião, têm ambas muita qualidade e são fiáveis.

A iluminação que tenho na minha actual bicicleta é a 
que consta deste vídeo (a da frente, pelo menos)


Este dínamo alimenta as luzes, sendo que a da frente é responsável por fazer a gestão da iluminação. Esta tem um interruptor com três posições: desligada, luzes de iluminação diurna (daytime running lights) e sensor de iluminação.

Quando se liga a luz da frente, esta  acende imediatamente a de trás e ambas têm uma reserva de energia que as mantém acesas durante uns minutos após a nossa paragem. Este sistema garante que, quando paramos, por exemplo, num cruzamento de estradas.

O material que eu estou a utilizar é o seguinte:
      - Dínamo de cubo de roda - Shimano Deore XT VR Dynamo T785 100 DH
      - Luz da frente - Bush & Müller LUMOTEC IQ Cyo T Plus Senso
      - Luz de trás - Bush & Müller Secula Plus

Na próxima mensagem falarei do estabilizador de corrente E-werk que estou a utilizar em conjunto com as luzes de que vos falei hoje.  

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Andar de bicicleta durante a noite - Equipamento - Luzes de bateria

Na minha opinião, uma das melhores experiências de bicicleta é andar de noite!

Digo-o seriamente. Andar de bicicleta de noite, em especial com companhia, pode ser verdadeiramente libertador.

No entanto, temos de nos precaver contra os perigos que podemos encontrar à nossa frente, bem como os que poderão vir de trás (automóveis, motos ou outros ciclistas mais rápidos e distraídos, por exemplo).

É impossível salientar suficientemente isto: uma boa iluminação é fundamental para se poder circular em segurança.

Falo de iluminação para ver e não necessariamente apenas para ser visto, pois aquelas luzinhas de LED miniatura iluminam muito pouco e, na minha opinião, também pouco vos fazem ser vistos.

Este tipo de luzes de pouco nos vale na maior parte das situações

Até chegar à minha solução de iluminação experimentei inúmeras possibilidades.

Como quase todos, comecei por aquelas luzes de LED que são alimentadas por umas pilhas AAA, mas rapidamente cheguei à conclusão de que necessitava de algo mais forte e com maior duração para andar de noite sem estar preocupado com a possibilidade de as baterias se acabarem antes da chegada...

Este tipo de luzes, normalmente chamados de segurança 
(por não pretenderem sequer alumiar o nosso caminho) é um bom começo mas, na minha opinião, 
não é suficiente para nos trazer segurança e visibilidade à noite.

Entretanto, à medida que me fui apercebendo de que não eram suficientemente estáveis, duráveis e visíveis, fui procurando outras soluções mais poderosas.

Lembro-me de em 2013 ter comprado umas outras luzes LED com uma luz CREE Q5, com supostamente 240 lumens e com umas baterias especiais 18650 (são umas baterias com a forma das AA, mas um bom bocado maiores e com 3.6v de potência nominal, que, quando carregadas no máximo têm 4.2v). Este tipo de luzes tem 3 modos de potência (económico, médio e forte) e um quarto modo de funcionamento em que piscam com a frequência do S.O.S.. Para seleccionar o modo desejado, basta pressionar o botão que existe na base da lanterna.

Estas luzes têm vários problemas, na minha opinião: têm uma lente com uma má qualidade e espalham demasiado a luz, não focando o que é preciso (a estrada) e cegando quem vem em sentido contrário. Não servem, por exemplo, para se perceber se há um buraco ou alguma irregularidade na estrada. Na minha opinião a luz treme bastante nos modos de potência fraco e intermédio gerando até alguma confusão.



Adicionalmente, no caso do meu par de lanternas, a lente de uma derreteu com o calor gerado pelo LED: a trepidação da bicicleta deslocou-o e este encostou-se à lente, derretendo-a... Para além disso,  algumas baterias 18650 são de pouca qualidade e, apesar de todo o meu cuidado, algumas ficaram danificadas ao fim de algumas utilizações! Estou em crer que isto poderá ter acontecido porque as lanternas não têm um sistema que proteja as baterias de uma descarga excessiva e eu poderei tê-las deixado acesas abaixo do limiar de segurança das baterias.



Para além disso, enquanto aquelas luzes eram utilizadas, era muito comum ficar sem bateria no caminho ou ter algum tipo de avaria técnica.


Neste  vídeo estou a utilizar as duas lanternas: uma está visível no vídeo e 
a outra está no guiador, perto da câmara de filmar

Há também estas luzes que um amigo meu tem utilizado e acha bastante boas, quer em termos de luz, quer em termos de duração da bateria:



4-CREE-XML-T6-5200LM-Front-Head-LED-Bicycle-Lamp-Bike-Light-Headlamp-Headlight
4-CREE-XML-T6-5200LM-Front-Head-LED-Bicycle-Lamp-Bike-Light-Headlamp-Headlight

Sei que há muitos ciclistas experientes que preferem luzes de bateria relativamente às luzes de dínamo, pelo que estou consciente de que a escolha de sistema de iluminação para a bicicleta é também uma questão de gosto. Há, de facto, luzes de bateria muito boas que duram muito e que têm uma iluminação muito homogénea.

Na próxima mensagem partilharei aqui as luzes que eu estou a utilizar actualmente na bicicleta que utilizo para fazer longas distâncias, de dia e de noite.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Actualização do blog - uma experiência

Encaro esta mensagem como intermédia, ou seja, situada entre dois posts. E publico-a para fazer uma pequena advertência: nalgumas das mensagens que vou publicar posso vir a fazer referência a alguns produtos similares aos que eu utilizo ou já utilizei.

Algumas das fotografias ou referências que farei a esses produtos terão hiperligações (links) associadas que redireccionarão o leitor para lojas como a Amazon ou o Ebay e que lhe permitirão comprar esses produtos.

Eu não os estarei a vender e nem pretendo promovê-los.  Apenas pretendo partilhar convosco a minha experiência e indicar-vos, caso pretendam utilizar um equipamento igual ao meu, um dos locais onde os podem vir a comprar.

Se comprarem algum dos referidos produtos através das hiperligações que eu indico, aqueles sites de vendas não vos cobrarão mais, mas poderão recompensar-me.

É uma experiência que estou disposto a fazer, mas da qual não espero obter qualquer retorno.

Obrigado pela leitura e até ao próximo post!

sexta-feira, 6 de maio de 2016

The Sun Trip (2015) - uma corrida épica com a energia do Sol







Já há algum tempo que me tinha comprometido a publicar uma pequena mensagem sobre a corrida "The Sun Trip".

O prometido é devido e, portanto, aqui está essa mensagem.

O objectivo desta corrida é demonstrar que é possível fazer longas distâncias sem emitir gases com efeito de estufa; que é possível viajar (de bicicleta, no caso) sem que essa viagem tenha qualquer emissão de CO2.

Para tanto, as bicicletas são equipadas com motores eléctricos cujas baterias são alimentadas exclusivamente por painéis solares fotovoltaicos. Se os participantes utilizarem outra fonte de energia eléctrica que não a fotovoltaica, serão desqualificados. 

Para os mais interessados, as regras da edição de 2015 estão aqui.

A edição de 2015 foi um pouco menos épica do que a de 2013, tendo o percurso inicial (de Milão, Itália,  a Astana, Cazaquistão), só de ida, sido substituído por um percurso circular, de Milão até Capadócia, na Turquia, e regresso. Isto num total de 7500 km. 

bandeau pour site
Percurso inicial

bandeau carte ok EN
Percurso definitivo

A mundialmente famosa Race Across América (RAAM) tem cerca de 4500 km e é feita (não só mas também) por profissionais. Talvez a comparação não seja muito boa... pois na RAAM é suposto que as bicicletas não sejam electricamente assistidas...

Este ano, Bernard Cauquil completou os 7.500 kms em 22 dias! Fez uma média sempre superior a 300km por dia!

A sua bicicleta tinha algumas características muito interessantes: 
     1) era uma reclinada - mais precisamente uma Optima Baron Lowracer;
     2) tinha uma transmissão primária, desde o pedaleiro (pedivela) até um motor eléctrico colocado a meio da transmissão; e 
     3) depois tinha uma segunda corrente que partia desse motor eléctrico para um cubo de mudanças internas de variação contínua - pelo que percebo, um NuVinci.

Esta solução é engraçadíssima, não só porque o motor utilizado era de eixo (hub motor) e estava a ser utilizado como se fosse um mid-drive (motor que se situa na transmissão, entre os pedais e a roda motriz) que foi adaptado para ficar naquela localização, mas também porque o cubo de mudanças atrás não tem propriamente velocidades separadas umas das outras, sendo muito mais suave: tem uma lógica de funcionamento muito parecida com a "caixa de velocidades" das aceleras, em que há um variador contínuo que transmite a rotação do motor à roda de forma progressiva.

Nesta foto disponível no sítio oficial do The Sun Trip conseguem ver bem ao que me refiro:

Bicicleta vencedora

Fica aqui um vídeo de toda a prova (também disponível para compra através do Vimeo ou em DVD), para vosso gáudio.



sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Bicicletas dobráveis / desmontáveis de alto desempenho | High performance Foldable / Separable bikes!

Bicicletas dobráveis / desmontáveis de alto desempenho

Há pouco tropecei nesta suposta novidade do mundo ciclístico: uma dobrável de alto desempenho: a Vello Bike!



Imediatamente me lembrei que há quase 40 anos Sir Alex Moulton (das bicicletas Moulton: http://www.moultonbicycles.co.uk) já tinha criado uma bicicleta muito semelhante, de alta performance, em 1979. Não sei se essas edições já eram desmontáveis, mas sei que as mais recentes, deste século XXI, são.

Neste segundo vídeo (apenas um de entre tantos que estão disponíveis na internet) podemos ver como é eficiente a Moulton, ultrapassando o pelotão e distanciando-se deste!


ENG ---------------------------------------------------------------------------------------------------------

High performance Foldable / Separable bikes!

I recently stumbled on this supposedly novelty: a foldable high performance bike: the Vello bike!




I immediatelly recalled the Moulton high performance bikes Sir Alex Moulton has built since 1979 (http://www.moultonbicycles.co.uk)! I don't know if they always were separable or not, but for sure, the recent models are!

On this second video (among so many others on the internet), you can watch it in action, taking on the peloton and riding away!


quarta-feira, 1 de julho de 2015

C2C - Coast to Coast - um local para a aventura

Ora vamos lá a isto, esta é a minha primeira experiência a escrever num blog por isso por favor tenham paciência comigo. Ainda por cima, também já não escrevo um texto decente em português há uns bons anos pois emigrei para Inglaterra em 2011, antes do famigerado acordo ortográfico. Consequentemente, este texto está escrito em português pré acordo. Assim, as criancinhas/jovens que leiam isto podem ter dificuldades em seguir o texto.

O Bycycling2012blogspot pediu-me para descrever a experiência que é a Coast to Coast, (C2C para os locais que gostam de abreviar tudo). A C2C é provavelmente a rota ciclística mais conhecida do Reino Unido e como o nome indica é uma travessia costa a costa. Sendo uma ilha, há diversas travessias em vários pontos, mas esta é uma das favoritas por diversas razões que explico abaixo.



Mapa das ciclovias que compõem a C2C

Inglaterra é um país excelente para o ciclismo. Tem um sistema de ciclovias que faz inveja a qualquer país do mundo. Chamam-lhe National Cycle Network (NCN) e consiste numa rede de ciclovias que atravessa o pais de lés a lés providenciando aos ciclistas rotas com poucos ou nenhuns carros onde o foco é o ciclista (ver mais sobre a NCN em http://www.sustrans.org.uk/). A C2C aproveitou-se desta infrastrutura para desenhar a sua própria rota.


 Ciclovia à saída de St Bees – dá gosto ciclar assim!


A C2C para ciclistas foi criada em 1994 tendo sido inspirada por uma rota pedonal traçada por Alfred Wainwright em 1973. A rota original tinha 309 kms começando a Oeste em St Bees e acabando a Este em Robin Hood’s Bay enquanto que a rota ciclistica mais usada começa em Workington acabando em Tynemouth compreendendo 230 kms.  Diz a tradição que temos de levar um pequeno seixo connosco que depois depositamos na margem oposta.

 O pequeno calhau apanhado na praia de St Bees.

O pequeno calhau na praia de Robin Hood’s bay. 
(como cheguei numa maré baixa tive de caminhar uns bons 500 m 
para deixar a rocha mesmo em algo que se parecesse mar)

A C2C consegue acomodar diversos níveis de fitness sendo possível de fazê-la num dia (para os completos fanáticos), 2 dias para os razoavelmente em forma, 3 dias para o comum mortal apreciando as vistas e 4 ou mais dias para quem utiliza a rota como um roteiro gastronómico ou umas férias bem relaxadas.

A principal atracção da C2C reside no facto de passar pelas mais belas zonas de Inglaterra. Primeiro o Lake District, com uma beleza natural apenas ultrapassada na Escócia. Depois os North Pennines fazendo-nos pensar que afinal Inglaterra não é assim tão populada e exibindo uma extensão considerável de área quasi virgem.

Em termos logísticos fazer a C2C tem os seus desafios. Principalmente como chegar ao local de partida e como sair do local de chegada. Os famosos caminhos de ferro Ingleses não são os mais fáceis de combinar com a bicicleta por isso conseguir apanhar um comboio com uma bicicleta é mais um caso de sorte do que de bom planeamento e sabedoria. Não há pré-marcações e o comboio leva no máximo 2 bicicletas (independentemente do número de carruagens!).

Talvez melhor alternativa seja a de alugar um carro deixando-o no ponto de partida e depois fazer o mesmo á chegada. Infelizmente esta opção limita a escolha do local de partida e chegada. Dos pontos de partida apenas Workington tem empresas Rent-a–car.  Pode-se sempre ciclar daí até ao ponto de partida desejado e depois então começar a rota oficial. À chegada, em Tynemouth (junto a Newcastle) ou em Sunderland há várias empresas rent-a-cars por isso esta opção acaba por ser bastante prática para o regresso. As rent-a-cars em Inglaterra são relativamente baratas e por um dia de car rental com drop-off a 300 kms de distância do ponto de recolha cobram cerca de £50 (cerca de €70 à cotação actual).




Em relação à estadia a coisa é mais fácil. Existem inúmeros sítios para ficar e com excelentes condições para as pessoas e para as nossas queridas bicicletas. Aqui pode-se ficar desde hóteis de luxo a simplesmente acampar. Talvez o melhor compromisso sejam as pousadas que estão preparadas para os ciclistas com um nível de conforto bastante bom e sem o risco de que a chuva ou vento nos leve a tenda. Acreditem que independentemente da altura do ano em que escolherem fazer a C2C o mais provável é que chova, faz parte da experiência... Por isso acampar é uma opção que requer a devida consideração. Das duas vezes que fiz a C2C acampei na primeira vez e na segunda usei pousadas. Acampar é a opção mais barata com cerca de £5 a £8 por noite, mas são normalmente apenas quintas que decidiram abrir um dos campos para a malta montar a tenda. Ter duche e uma sanita só nos parques mais requintados. As pousadas custam entre £20 a £30 por noite... mas incluem pequeno almoço e o tão desejado duche!  





No caminho há algumas opções off-road para quem assim preferir… pois claro eu prefiro!
(aliás há uma rota inteiramente off-road mas engloba, nalgumas secções, carregar a bicicleta às costas. Eu sou todo por BTT, mas Btt-alpinismo não é bem para mim).



À saída de Alston após a subida mais dura da jornada

Não nos devemos esquecer de parar de vez em quando para beber um chá 
e apreciar a paisagem, afinal, a C2C é sobre a viagem, não sobre o destino

Sobre o caminho propriamente dito, é bastante acidentado com um total de 3300m de acumulado. Looking on the bright side, com belas subidas vêem belas vistas e aquela sensação de que o que sobe também tem de descer. Assim, um desafio interessante é o de como dividir o percurso de forma a equilibrar o acumulado. Fica a sugestão para o percurso feito em 3 dias:



Perfil topográfico 

Dia 1

Dia 2

Dia 3




1900 feet não é muito (não chega a 600 metros)… mas após 8 horas a ciclar 
com vento contra acreditem que parecia que estava a atravessar os pirinéus

Parte da ciclovia à saída de Keswick, uma estrutura em
 madeira que nos leva sobre o rio, delicioso

Um dos muitos pontos para aproveitar a vista,… e beber mais um 
cházinho que a maior parte das vezes calha mesmo
bem para nos aquecer mais um pouco

Como disse acima, o caminho é feito maioritariamente utilizando quer ciclovias exclusivas para bicicletas quer vias secundárias onde apenas tractores e alguns carros de pessoas locais passam. Coisa mais tranquila é difícil de encontrar. O maior tráfego que vão apanhar são ovelhas e vacas junto ás bermas da estrada a pastar. Isto soa mais a interior transmontano do que busy England mas é assim.

Também, ao contrário do que se pensa, os Ingleses são simpáticos! Onde quer que parem podem pedir água ou direcções a quem quiserem. Nesta parte mais relaxada do país todas as pessoas estão disponíveis para ajudar e eles adoram dois dedos de conversa com totais desconhecidos. Vocês podem é não perceber o que vos dizem... são precisos alguns anos de treino para perceber o sotaque de pessoas nesta região (quase Escócia) e quando chegarem a Newcastle...esqueçam, o Jordi accent é engraçado mas mais ou menos como Açoreano cerrado (desculpem-me os Açoreanos). Não é surpresa que a maioria das piadas inglesas incluem alguém de Newcastle (ou Birmigham) como o bobo da anedota. Tenham paciência pois é muito boa gente e mais cedo ou mais tarde lá percebereis o que vos dizem.

Bem, a título de conclusão, a C2C é uma excelente experiência. Oferece paisagens fantásticas com desafios interessantes. Se gostam de campo e de prados verdejantes então não há que enganar. O caminho é tão variado que fazê-lo em alturas diferentes do ano parecem diferentes caminhos. Quanto a mim… já estou a planear a próxima C2C, vai ser ainda este ano!