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sexta-feira, 15 de maio de 2015

DIY Velomobile - a transmissão (II_a)

Uma outra dificuldade que encontrei e que penso ter ultrapassado relaciona-se com a amplitude das mudanças. 

Efectivamente, sendo os Velomobiles são mais aerodinâmicos do que as bicicletas, é necessário ter muita velocidade de ponta para podermos aproveitar o seu potencial de velocidade máxima.

Isto significa que é necessário ter uma pedaleira (pedivela) com muitos dentes e uma cassete de mudanças atrás com poucos, para gerar muitas rotações de roda por cada pedalada. 

O problema é que os Velomobiles também são muito mais pesados do que uma bicicleta, pelo que a subir necessitam de uma desmultiplicação muito grande, ou seja, necessitam do inverso do que referi acima: uma  pedaleira pequena à frente e uma cassete grande atrás, para que cada pedalada faça rodar a roda traseira o mínimo possível. 

Até aqui estaria tudo bem, certo? Bastaria ter três pratos à frente e 9 ou 10 velocidades atrás.

Nessa medida, com um prato de 22 dentes na pedaleira e com uma cassete de 11-36 de 9 velocidades, teria a seguinte relação:


Em termos de velocidade máxima, com um prato de 46 dentes na pedaleira e com a mesma cassete de nove velocidades, a relação:



Só que para o efeito que eu quero o Velomobile, e para os percursos que pretendo fazer, sei que há muitas subidas longas e íngremes que tornariam as viagens mais lentas e difíceis nesse meio de transporte do que numa bicicleta de estrada. 

Por isso, planeei, desde o início que teria de ter assistência eléctrica, preferencialmente do tipo mid drive. 
 
Nessa medida,  há cerca de quatro meses, comprei um kit Bafang de 250 watts com uma bateria de 36v com 15ah (podem ver aqui a mensagem que publiquei na altura). Este kit é muito mais barato do que a maioria dos restantes do mesmo tipo e não causa qualquer atrito quando não está em funcionamento.



Por outro lado, a assistência eléctrica tipo hub motor, em que o motor está situado no cubo da roda, apesar de (poder) ter as vantagens da travagem regenerativa (abrandam o veículo nas descidas e ao mesmo tempo recarregam a bateria), tem outras desvantagens que eu quis evitar:
- Ruído (da minha experiência apenas o BionX não produz qualquer ruído de funcionamento);
- Efeito de abrandamento quando não está a funcionar (ou seja, acima dos 25km/h);
- Tendência para sobreaquecimento em subidas íngremes e prolongadas;
- Dificuldade adicional na reparação de furos, com desligamento de cabos e utilização de chaves de boca para desapertar as porcas do eixo da roda;
- Um bom Kit tem sempre um preço muito mais elevado do que aquele que eu paguei pelo meu.

Com a referida escolha, tive de lidar com o facto de este kit Bafang ser construído para ter apenas uma pedaleira de 46 dentes. Não tem segundo nem terceiro prato, o que reduz muito a amplitude da transmissão: em regra, ou tenho velocidade de ponta ou tenho capacidade de subida.

Na minha próxima mensagem partilho convosco os cálculos e as escolhas que fiz para obter um resultado razoável.


(mensagem editada a 20-05-2015: corrigi o número de dentes do kit Bafang 250watts, de 44 dentes para 46 dentes)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Bicicleta com assistência eléctrica?


Sabem que instalei há uns tempos um kit eléctrico (Bafang BBS01 - atenção que este link não é o que eu utilizei para encomendar o motor, mas apenas uma versão do kit vendido por outra entidade) na minha Xtracycle, com uma bateria de 36 volts e 15AH.

 Podem ver aqui uma imagem do motor.

Este motor exerce a força através da corrente, em vez de se situar no cubo da roda, como sucede com os kits mais conhecidos.

Dizem os entendidos que estes motores (denominados na gíria ciclistica de mid mount ou mid drive) permitem que a bicicleta mantenha o mesmo comportamento ciclístico, pois o motor não se encontra na roda mas antes num ponto bem baixo (baixa o centro de gravidade), e não aumenta o peso não suspenso da bicicleta (o qual tende a fazer as suspensões funcionarem pior).

Adicionalmente, na medida em que não está na roda, mas antes utiliza a transmissão que a bicicleta já tem, permite-nos, por exemplo, utilizar rodas diferentes para fins diferentes, com cassetes de mudanças com dentes diferentes, consoante o tipo de utilização que queiramos fazer. Mudar um pneu também é muito mais fácil quando temos um furo na roda onde o motor de cubo estaria situado.


 O Bicycle Repair Man com o seu imenso know-how, perícia e boa vontade!
Thumbs up para ti!

É um kit completamente legal: assistência apenas até aos 25 km/h e com um máximo 250 watts de potência. Continua a ser um velocípede, com todas as vantagens que isso tem:
1) Desnecessidade de seguro;
2) Não sujeição a Imposto Único de Circulação;
3) Podemos utilizar as ciclovias;
4) Podemos estacionar a bicicleta mesmo à porta dos locais onde vamos, e não perder 10 minutos a arrumar o carro na cidade, etc.


Tudo isso eu já sabia e alguns de vós também.

O que eu não esperava é que a autonomia do kit fosse tão grande: já fiz mais de 30 km em utilização essencialmente urbana, em trânsito, com para-arranca e com um ou com os meus dois filhos na Xtracycle, e a bateria ainda está a indicar capacidade máxima!


Para que tenham uma ideia da diferença, o kit BionX P 250 HT XL que nós temos, que tem uma autonomia indicativa de 105 km, teria gasto cerca de 40-50% da sua capacidade numa utilização como a que eu fiz.

Mas nem tudo são rosas: a força deste kit não é a mesma do BionX!

Quanto utilizamos a bicicleta com o BionX parece que estamos a ser empurrados com uma força invisível. Uma espécie de (força da) gravidade que nos impele para a frente. Com o Bafang, a força também existe, mas é necessário utilizar mais as mudanças para que ele consiga ajudar-nos da mesma forma.

Até ver, estou convencido com os resultados!

Nota posterior à mensagem original: Acima fiz, erradamente, referência a 70 km feitos com a bateria a indicar carga plena. Queria ter dito 30 km. 
Já fiz, de facto, mais de 70 km com uma carga, com utilização mista, mas a bateria indicava 50-60% de capacidade remanescente.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Bicicleta de carga (também) como fonte de prazer em Família! Pt I


Este verão consegui algum tempo para estar com a minha Mulher e os meus Filhos (em maiúsculas, por os amar tanto). Foi fantástico!

Consegui também recolher algumas imagens de um dos nossos passeios de bicicleta.

Eu próprio me surpreendi com a alegria que a câmara capturou!



Eu não consegui deixar de sorrir quando vi o vídeo pela primeira vez.
E vocês?

Caso estejam curiosos, a bicicleta que a minha Mulher está a utilizar é a mesma que utiliza para ir buscar os Miúdos à escola com o atrelado Croozer Kid2.


quarta-feira, 18 de junho de 2014

De bicicleta para o trabalho - para um lado de carro, para o outro de bicicleta; no dia seguinte, ao contrário

Como já tinha partilhado convosco há uns tempos, queria começar, e já comecei a vir mais vezes para o trabalho (ou a ir para casa) de bicicleta.

A minha ideia inicial foi a de experimentar a Surly Big Dummy do meu amigo Bruno que tem um kit Bionx, mas surgiu uma complicação (felizmente antes de ele ma emprestar) com o carregador.

Não posso, pois, contar com ela nos próximos tempos.

Então o que fiz foi: segunda de manhã trouxe a bicicleta de estrada (com pneus à prova de furo) e o equipamento no carro para o escritório e ontem à tarde fui de bicicleta para casa. Na terça de manhã fui de bicicleta para o escritório.

 Os pneus em causa são Schwalbe Marathon Plus com 25mm de largura (700 X 25C)

 Outra foto do mesmo pneu

Na minha opinião, estes pneus são um verdadeiro salto tecnológico no que toca a pneumáticos para viagens utilitárias ou de cicloturismo. Para além de uma carcaça bastante resistente, têm uma camada central de um composto que é à prova de furo.

Imagem do próprio site  da Schwalbe

Lá em casa temos várias bicicletas com pneus da Schwalbe (uns Big Apple na dobrável, uns Marathon de 26" na eléctrica, um Marathon Plus MTB na roda da frente da Xtracycle) e nunca tivemos qualquer furo em qualquer um deles. E cada um deles tem mais de 1.000 kms, uns em estradas com vidros, outros por terra batida com espinhos, etc.

Espero que estes também não me deixem ficar mal, pois eu não planeio andar com qualquer pneu ou câmara de ar suplente...

Este vídeo que aqui partilho é da própria marca, e passa por demonstrar que nem com um (nem 10) pionés, nem com vidros espalhados pelo chão eles se furam!


Haverá, certamente, quem já tenha furado pneus desta linha, mas eu nunca furei nenhum destes (já furei, infelizmente, muitos dos outros mais levezinhos), nem mesmo quando começam a ficar com o rasto mais gasto.

O reverso da medalha é que, como são pneus mais pesados, não rolam com a mesma facilidade dos outros mais leves (ou será da minha forma física estar muito em baixo?).



quinta-feira, 22 de maio de 2014

Utilização do automóvel / autocarro em conjunto com a bicicleta

Nos últimos tempos tem-me sido totalmente impossível actualizar o blog e, mesmo, utilizar a bicicleta no dia-a-dia.

A rotina do trabalho tornou-se de tal maneira absorvente, com horários tão imprevisíveis, que me vi forçado a andar com o carro da família para conseguir estar mais tempo no trabalho... e menos tempo no caminho...

No entanto, isto fez com que eu ganhasse uns bons 4 kg!

Vou tentar algo que já li em muitos blogs de internet, mas que não é muito utilizado entre nós (em Portugal): fazer o que é por vezes chamado de hybrid commute.

Consiste em fazer umas viagens de carro/autocarro e outras de bicicleta (é preciso ter presente que são 52 km para cada lado que não são assim muito planos...).

A semana seria, então, dividida da seguinte forma: na segunda-feira de manhã levo o carro, com a bicicleta em cima e com roupas de ciclismo e de trabalho, as primeiras para regressar a casa nesse dia de bicicleta e as segundas para vestir na terça-feira depois de chegar ao escritório de bicicleta de manhã; na terça-feira à tarde volto de carro para casa, utilizando também o carro na quarta-feira de manhã para ir para o trabalho. Aplica-se a mesma lógica até ao fim da semana.

Como me sinto em baixo de forma, sei que será difícil fazer as viagens, pelo que vou experimentar fazer a viagem com uma bicicleta com assistência eléctrica (que não é minha): uma Surly Big Dummy electrificada com um dos melhores kits de assistência eléctrica do mercado, o BionX!

Como alguns de vós já saberão, cá em casa já temos um kit desses na bicicleta da minha mulher, que usa para ir buscar os miúdos à escola, com o atrelado.

A bicicleta da minha mulher, com assistência eléctrica e com o atrelado
Croozer  Kid 2 que utilizamos para substituir o segundo carro (que não temos).
Uma criança no atrelado e outra no Weehoo iGo Pro.

Mas a bicicleta dela é demasiado pequena para mim e continua a ser necessária para ir buscar as crianças, por isso irei experimentar uma bicicleta mais ao meu tamanho.

Como podem ver aqui, eu já fiz a viagem de bicicleta uma vez. Demorei cerca de 1h50m, com uma média de 27.7km/h, mas foi com uma bicicleta de estrada, que é bem mais eficiente do que uma bicicleta de carga.
O vídeo está publicado no youtube, aqui.

Sei que a comparação não é exactamente científica, mas estou curioso para saber até que ponto é que a assistência eléctrica facilita.

Será que consigo fazer o percurso mais rápido com esta eléctrica?
Sentir-me-ei igualmente cansado?
Qual será a sensação geral da viagem? Veremos.

Conto fazer a viagem durante a próxima semana e conto publicar uma mensagem comparativa.


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Xtracycle fun

Quem não se lembra de andar de bicicleta com um irmão ou amigo atrás na sua bicicleta?

Desde que tenho a o kit Xtracycle que a minha bicicleta ficou mais divertida; para mim e para os outros! 

Esta é a actual configuração da minha Xtracycle. O selim da Brooks (que está na dobrável) 
voltará a fazer parte deste conjunto, pois o conforto da suspensão dianteira, aliado à grande distância entre eixos e ao selim com molas fazem com que sinta que estou a planar em vez de andar de bicicleta!

Os Wide loaders (as plataformas em baixo) acrescentam algum peso ao conjunto, mas permitem que os passageiros habituais subam para o banco com muito mais facilidade. É como se tivessem um degrau intermédio para subir.

 O assento teve de ser bastante baixado, pelo que o guiador de apoio para o 
pendura acabou por ficar um pouco baixo de mais.

No nosso caso, esta Xtracycle e um kit Bionx para a da minha mulher, com o atrelado da Croozer, substituiram a necessidade de um segundo carro.

Bicicleta de passeio com o kit BionX e com um atrelado 
Croozer Kids 2 (para duas crianças).

Nesta festa de anos, decidimos ir de bicicleta os 4 em vez de irmos de carro. Assim que lá chegámos, as bicicletas não tiveram muito descanso...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Bicicletas Reclinadas longas e curtas - Vantagens e desvantagens dos vários tipos


Quando comecei a construir a minha reclinada fi-lo para aproveitar muitas peças que me tinham sobrado do triciclo duplo.


Nessa altura fiz imensa pesquisa sobre os tipos de bicicleta reclinada, as principais vantagens e desvantagens de cada uma. É um pouquinho desse conhecimento que proponho partilhar aqui.

Como já tive oportunidade de explicar antes, há vantagens e desvantagens na opção por bicicletas longas (LWB) ou curtas (SWB).

The Recumbent Bicycle

Gunnar Fehlau (The Recumbent Bicycle, Out Your Backdoor, Williamston, 2.ª edição, 2003, pp. 91 e 92) sintetiza-as muito bem da seguinte forma que aqui traduzo livremente para simplificar a leitura:

Vantagens das RECLINADAS LONGAS (LWB):
  • Posição direita com grande visibilidade da estrada;
A Rans X-Stream (uma reclinada
 longa de altas performances)
  • Os pés põem-se no chão com grande facilidade (ver o vídeo que coloquei aqui);
  • Paragens e arranques são fáceis (idem);
  • A linha directa da corrente facilita a utilização de todas as mudanças;
  • Muito boas para transportar bagagens;
  • Carenagens parciais são muito fáceis de montar;
 
Pode ver-se aqui a linha direita da corrente (sem necessidade de qualquer roldana 
que altere o percurso natural da corrente); pode ver-se igualmente 
a carenagem frontal aplicada nesta Easy Racer C-Rush
  • Tem um excelente poder de travagem;
  • Condução em linha recta suave e excelente conforto mesmo sem suspensão;
  • As rodas da frente e de trás servem de zona de absorsão de impacto em caso de acidente (crumple zone).
 Desvantagens das reclinadas longas (LWB):
  • Mais pesadas do que as curtas [como regra geral, pelo menos];
  • Raio de inversão de marcha maior (do que as curtas), direcção menos reactiva ou rápida;
  • A distribuição do peso pode concentrá-lo quase todo na roda traseira, deixando a da frente demasiado leve, podendo levar a escorregadelas desta;
  • Muitas vezes têm uma aerodinâmica medíocre;
  • São de difícil transporte (volumosas).
 
Note-se como esta Easy Racer C-Rush excede a largura do automóvel!
Nos termos do artigo 56.º do Código da Estrada, este tipo de transporte, 
por exemplo, não seria possível: não só excede a largura do veículo como
restringe a visibilidade do condutor e limita a visibilidade 
da sinalização luminosa do automóvel.
Vantagens das RECLINADAS CURTAS (SWB):
  • Existe uma grande variedade de posições de condução de entre as quais podemos escolher;
  • Comportamento mais desportivo;
  • Leveza;
  • Têm o mesmo comprimento das bicicletas "normais";
  • Têm uma aerodinâmica melhorada.
Desvantagens das reclinadas curtas (SWB):
  • A condução a baixa velocidade requer prática;
  • A viagem é mais dura - necessitam de mais suspensão;
  • Por vezes é necessária habituação ao estilo de condução (em particular, o parar e o arrancar);
  • Os assentos muito reclinados tornam muito desconfortável virar a cabeça para trás (para ver o trânsito que circula atrás de nós);
  • Nalguns modelos uma travagem extrema pode levar a que a bicicleta se vire (faça uma "égua");
  • Só geometrias cuidadosamente medidas e comprimentos permitem uma utilização polivalente.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Porque é que decidi fazer uma bicicleta reclinada em vez de comprar uma bicicleta?

Muitas das vezes, quando vou em passeios ou mesmo quando vou dar uma volta sozinho, sou abordado por um ou outro ciclista que me pergunta porque é que ando com uma bicicleta reclinada e não com uma bicicleta de estrada "normal"...

Hoje perguntou-me um médico conhecido porque é que eu tinha uma bicicleta reclinada... Ele percebia a vantagem aerodinâmica da bicicleta e também a óbvia melhoria a nível de ergonomia em relação às bicicletas de estrada comuns (ausência total de esforço ao nível do pescoço, dos pulsos e do... bum-bum).

Mas a pergunta foi muito pertinente: "porquê?"

Naquela altura fiquei um bocado sem jeito, atrapalhado com a frontalidade da pergunta, e não lhe respondi exactamente o que queria ou deveria.

Eu podia debitar aqui mil e uma razões para justificar a escolha, mas a verdade é que foi a vontade de andar de bicicleta em família que me trouxe até ao presente momento (em que estou a ultimar a última versão minha bicicleta reclinada).

Triciclo reclinado tandem em versão looonga; 
ao separarmos as crianças (uma no atrelado e outra na cadeirinha)
as viagens foram um socego, sendo as birras substituídas por cantigas entoadas 
por cada um deles!

Uma ideia que nos agradava muito lá em casa era um tandem. Tivemos de experimentar.

 Sintra 26"

Experimentámos a Órbita Sintra 26" que a RedBikeStore nos cedeu na altura. A experiência foi muito divertida mas muito, muito pouco segura!

Não era tanto o arranque que era problemático. A principal dificuldade estava na forma alfa que ambos queríamos exercer o nosso equilíbrio (impondo-o sobre o do outro); e o resultado era uma rápida tremideira dos selins e do guiador de um lado para o outro.

A experiência foi de tal maneira engraçada que decidimos que queríamos um tandem, mas talvez um em que o equilíbrio não estivesse em causa: um triciclo duplo reclinado!

O GreenSpeed GTT parecia ser o candidato ideal... até que, após uma troca de e-mails, descobri o valor absolutamente exorbitante desta máquina: ~€ 12.000,00!!!

Isso seria impensável e impossível!

Na altura não encontrei nenhuma alternativa... Hoje sei que há, por exemplo, o Rover Tandem, da Terratryke:

Foi por pensar que não existia alternativa que decidi procurar compreender como se faria um triciclo reclinado. Li e voltei a ler o "manual" do Rickey M. Horwitz, Build Your Own Recumbent Trike.

Abreviando a história, acabei por convencer um amigo a soldar as várias peças que eu já tinha recolhido num conjunto que se aproximasse de um triciclo reclinado.

O resultado foi o nosso triciclo duplo reclinado, que aqui aparece numa versão de teste.

 Uma primeira saída de teste...

 Outra perspectiva do triciclo, ainda em fase de testes.

Só que esta versão era um bocado pesada e um bocado elástica demais para o meu gosto e, acabou por se tornar no doador de peças: o BionX PL 250HT SL XL que podem ver aqui, os assentos da OceanCycle, as roldanas da Terracycle (indispensáveis para suportar a força de dois adultos a pedalar), as peças que suportam o movimento pedaleiro, etc...

Uma foto para a posteridade, entre Idanha-a-Nova e Monsanto


 Idem


 
 O BionX aparece aqui em evidência

Entretanto, já depois da decisão tomada, chegou o tubo de aço reforçado com carbono, crómio e molibdénio (Cro-Moly) semelhante ao aço Reynolds que eu pensei que nunca mais chegaria...

Fiquei com 7 metros de aço especial, com um diâmetro exterior de mais de 60 mm (adequado para suportar confortávelmente o peso de dois adultos) empatado...

A consola do BionX perto da mão esquerda.
Fui eu que pedi à CaP que me desse aquele autocolante!
Ainda hoje me pergunto se o Bruno e a Ana não terão ficado
embraraçados de ver o nome do projecto deles 
nas costas do meu banco

Foi nessa altura que decidi avançar para a minha reclinada, reutilizando o que pudesse.

Se calhar deveria ter respondido ao médico de hoje algo tão simples como: porque tinha disponível o material...

Mas acho que ele não iria compreender o que isso significa e não acharia metade da graça!



quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Bicicleta em família - um piquenique

Num destes fins de semana de Setembro decidimos fazer um piquenique para experimentar a Xtracycle.

O percurso não era longo - cerca de 9km para cada lado - mas já se sabe que com crianças a questão pode não ser assim tão linear... Com as paragens para água, comida, bolachas e outras coisas acabamos por não conseguir fazer muitos km em pouco tempo.

Se a isso juntarmos o facto de a própria saída ser também ela retardada por causa de todos os preparativos, temos o mix ideal para chegar tarde e stressados: e isso é tudo quanto queremos evitar!

Preparámos tudo:
- comida (como sopa, pão, rissóis, uvas, etc);
- água;
- passas de uva para os 'pedalantes';
- chapéus para as crianças;
- bolas de futebol (na verdade, eram bolas de andebol, porque para o tamanho das crianças as de futebol são demasiado grandes;
- toalhas de mesa e de praia;
- pequenos tapetes para dispor no chão na altura do descanso;
- tenda abrigo da Decathlon;
- as imprescindíveis toalhetes de limpeza;
- telemóvel; e
- um pequeno rádio...

 Algumas (mas não todas) das coisas 
que preparámos para o piquenique

Depois de tudo preparado em casa, chegou a vez de equipar as crianças, com um casaco fino, capacete e luvas. Só no fim é que fomos todos juntos para as bicicletas, que precisaram de atenção para acomodar a carga toda e mais as crianças (e a nossa cadela miniatura, a Guzzi).

Saímos a uma hora já um bocado tardia: por volta das 11:45.
E chegamos ainda mais tarde... Por volta das 13:10.

O caminho foi muito agradável (como sempre é) pela ecopista de Torres Vedras até ao (outrora pinhal) de Casalinhos de Alfaiata.

Este caminho é quase todo ele feito em estradas agrícolas, com piso nivelado e cobertas com uma camada de brita, o que lhe dá um ar esbranquiçado e um pouco poeirento. Essa brita, contudo, protege-nos da lama que de outra forma se acumularia no caminho partilhado com as máquinas agrícolas.

Em termos de inclinação, este percurso é extremamente plano, pois segue o percurso do rio Sizandro até à sua foz (apesar de nós apenas termos feito uma pequena parte dos seus 22km).

Esta foto já foi tirada ao final da tarde, no início do regresso a casa.  
Pode ver-se a minha antiga bicicleta de BTT, agora transformada 
em SUB (sport utility bicycle) com o kit da Xtracycle. 

Os nossos amigos já lá estavam quando chegámos, mas não estávamos assim tão atrasados como isso.

No final do almoço as crianças ainda jogaram à bola e à apanhada! Sim, para os que já não se lembram do prazer que é jogar à bola com os amigos na rua, afianço-vos que continua a ser um sucesso.

Pensei que depois do almoço e das brincadeiras os miúdos quisessem/conseguissem dormir a sesta... Mas enganei-me! Apesar de estar tudo preparado para isso, só a Guzzi conseguiu dormitar!


Estava algum calor e nenhum de nós conseguiu fechar o olho por mais do que uns minutinhos... A outra bicicleta é uma Specialized, de côr champagne, com o kit BionX PL 250HT SL XL instalado na Cenas a Pedal, há coisa de um ano.

Depois desse descanso, era hora de regressar, pelo que arrumámos tudo e partimos de regresso.

A mais novita adormeceu na cadeirinha ao fim de 15 minutos de caminho e o mais velho, que não podia adormecer porque eu não tinha a minha Xtracycle com uma cadeirinha montada, aguentou estoicamente até chegarmos a casa sem adormecer.

Tirei as seguintes lições para os piqueniques seguintes: o ideal será levar um atrelado (para eles poderem dormir em melhores condições enquanto andamos e, eventualmente, um Weehoo iGo para eles também se poderem exercitar (à vez) até ao destino.

 Este é um pequeno vídeo da perspectiva que os miúdos têm 
quando vão no Wehoo I-Go, filmado num outro passeio em família

Nessa configuração, quem estiver demasiado cansado vai dormir para o atrelado.

domingo, 30 de setembro de 2012

Ir a uma conferência formal de bicicleta? E se tiver um furo?

Será que posso ir a uma conferência formal (que exige fato e gravata) de bicicleta? Se calhar é melhor levar o carro... O Museu do Oriente tem vários estacionamentos pagos perto...

E se chove? Ou se eu tenho um furo na bicicleta?

Estas foram algumas das dúvidas que me assaltavam na passada segunda-feira à noite.

Mas porque não hei-de ir de autocarro e bicicleta, como quando vou para o escritório?
 
Tinha-me comprometido a ir assistir a uma conferência no Museu do Oriente, que começava às 09:00.

Como habitualmente, saí no Campo Grande do autocarro com a minha dobrável. O dia não prometia, com minúsculas gotículas de água a cair do céu cinzento.


Segui pela ciclovia até Entrecampos, onde desmontei até entrar na 5 de Outubro, que percorri até ao seu final.



Depois de passar em frente à Maternidade Alfredo da Costa entrei brevemente na Fontes Pereira de Melo para a poder atravessar na passadeira (desmontado) e começar a percorrer (já montado) a Rua Martens Ferrão em direcção à Luciano Cordeiro. Depois foi "descer" a Rua Luciano Cordeiro e Rua do Conde de Redondo.


Finalmente segui pela recém-acalmada Av.ªda Liberdade até aos Restauradores, de onde segui até à Praça do Comércio (através da Rua do Ouro) para apanhar, finalmente, a Rua do Arsenal que me deixou no Cais do Sodré.

No Cais do Sodré, contornei a estação de comboios e segui pela ciclovia que aí começa até Museu do Oriente.


Cheguei mesmo em cima da hora! Mas cheguei.

Procurei - sem sucesso - por um parque apropriado para bicicletas... Até que me lembrei de perguntar aos seguranças se haveria algum local para a deixar.

Disseram-me que a podia deixar com eles, no centro de segurança: fantástico! A bicicleta ficou guardada, em segurança, e abrigada da eventual chuva que pudesse cair!

Depois da conferência, quando ia para voltar para o escritório... reparei que tinha o pneu da frente em baixo!

Vestido de fato e sem qualquer ferramenta ou câmara de ar suplente vi-me sem grandes alternativas. Ainda pensei em apanhar um táxi para o escritório, levando a "dobradinha" na bagageira mas, sinceramente, não me apetecia ir dar 7 ou 8 euros por um trajecto que eu faria de bicicleta de forma perfeitamente agradável...

Depois lembrei-me do Bruno, da Cenas a Pedal, que tem um serviço espectacular: o Bicycle Repair Man!

Liguei-lhe e perguntei se lhe seria possível vir ajudar-me. Aproveitei para lhe pedir que me trouxesse um pneu novo para a frente (o primeiro, de origem, já não me oferecia confiança porque estava a ficar careca... talvez tenha sido por isso que furou).

O valor da manutenção da bicicleta lá aumentou um pouco, com um novo Schwalbe Big Apple para a roda da frente.

Como o Bruno me disse que demoraria cerca de meia hora (e, efectivamente, não demorou mais do que isso), fui almoçar ao snack-bar do Museu do Oriente enquanto ele não chegava.

O Bruno, da Cenas a Pedal, a equipar-se para começar o trabalho, com a sua Surly Big Dummy com um kit BionX

Em pleno trabalho, soltando o V-Brake
Retirando o que resta do ar do pneu furado, para o poder mudar.

Escusado será dizer que, depois de um almoço saboroso e de ter a ajuda do Bruno para arranjar a bicicleta, fiquei com um outro ânimo! 
Não demorei muito, pois ainda acabei por chegar cerca de 20 minutos antes da minha colega de escritório que também tinha ido à conferência e que depois regressou de autocarro!

Tudo isto para demonstrar que é possível utilizar a bicicleta como um meio de transporte, mesmo para quem viva longe do trabalho, como eu!