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sexta-feira, 29 de maio de 2015

DIY Velomobile - a transmissão (II_c)

Nos meus dois últimos posts (podem lê-los aqui e aqui) tentei explicar o percurso que fiz até escolher a transmissão que vou utilizar. É hoje que partilho convosco como qual foi a decisão.

Mas, entretanto, falta ainda explicar porque é que não optei pelo Rolhoff de 14 velocidades.

Imagem retirada daqui:

Este cubo de mudanças mundialmente famoso tem a vantagem de ser praticamente indestrutível, requerer muito pouca manutenção e, ainda, de ter 14 velocidades muito bem escalonadas entre si que dão uma amplitude muito grande, podendo quase substituir uma transmissão de 3x9.

As desvantagens são, em geral, o seu preço (sempre superior a € 1.000,00) e o seu peso (cerca de 1.700gramas de peso). No meu caso em particular, esta escolha seria desadequada, pois a relação ficaria muito pesada.

A 90rpm, e atendendo ao facto de o pinhão junto ao 
cubo ser de 16 dentes, a velocidade ficaria toda puxada 
para cima, com uma velocidade máxima de quase 80 km/h.

Sei que há hipóteses de variar os pinhões de entrada dentro de certos limites, mas o peso e o preço colocaram logo a opção como inviável para o meu orçamento.

Qual foi, então, a solução que eu adoptei? Paciência... já lá vamos.

Actualmente, muito por via do sucesso comercial nas bicicletas de BTT, há cassetes de 10 e 11 velocidades com uma amplitude astronómica, com o pinhão (ou roda dentada) mais pequeno de 11 dentes e o maior de 40 dentes (como este conjunto XTR da Shimano). Mas este conjunto é, ainda assim, um pouco caro demais, com a cassete de 11 velocidades a custar quase € 200,00).

Um conjunto de mudanças "tradicionais", com cassete e desviador tem o peso a seu favor quando comparado com os sistemas de cubos, pelo que, essencialmente por essa razão, este talvez fosse o caminho mais acertado a seguir.

Não estando preparado para gastar o dinheiro num conjunto XTR, pesquisei até encontrar uma solução que parece que há algumas pessoas a utilizar: há um pinhão da cassete de 40 ou 42 dentes que se adapta a uma cassete pré-existente. Passo a explicar: a ideia é pegar numa cassete de 10 ou 11 velocidades, retirar um pinhão intermédio e introduzir um pinhão maior que todos os restantes.


Assim, o que fiz foi o seguinte: peguei nesta cassete de 11-36, também Shimano, mas Deore XT (a custar apenas cerca de € 45,00) e combinei-a com este pinhão adicional (€ 59,00)



Como fiz, então? Com aquela cassete, cujas rodas dentadas são 11-13-15-17-19-21-24-28-32-36, eliminei a roda dentada 19, passando então a ficar 11-13-15-17-19-21-24-28-32-36, e a seguir à 36 acrescentei a de 40 dentes:
11-13-15-17-21-24-28-32-36-40

As velocidades com que fiquei foram as seguintes:


Não fiquei com uma amplitude excepcional, como podem verificar no gráfico que junto a seguir, mas dá para subir confortavelmente a 65-80rpm com o motor (a sua maior eficiência e auxílio é, precisamente, entre as 70 e as 82 rpm) e permite-me pedalar sem pressas até aos 45 km/h. Sei que não é uma velocidade muito elevada para um velomobile, mas este ainda está em fase de desenvolvimento e não sei se quero andar muito mais depressa do que isso antes de ter a certeza de que funciona correctamente e de que é seguro.


É evidente que o Rolhoff seria uma solução mais polivalente, se eu decidisse alterar a pedaleira do Bafang BBS01 de 46 dentes para outra mais pequena, com adaptadores como os que podem ver aqui. Mas o preço e o peso neste momento são incontornáveis.

Com a parte central do velomobile em madeira e aço e com a carenagem feito em impressão 3-D, há muitas incógnitas e variáveis a ter em consideração e o peso é uma delas.

Se puder evitar adicionar peso onde ele pode substituído por algo mais leve, é isso que farei.

Por fim, e a título de curiosidade, já experimentei a transmissão na minha Xtracycle completamente carregada e foi um sucesso (o relato da volta está aqui o qual eu já tinha partilhado aqui). Na realidade, na maior parte do tempo andei com apenas 25 kg (para além da própria bicicleta), mas houve alturas em que tinha mais 50kg em cima dela, com o meu filho, a sua bicicleta e um alforge do H (podem ver melhor o que eu quero dizer naquele relato), e cheguei ao fim da viagem com cerca de 80 km (ida e volta) com cerca de 55% de bateria (julgo que a carreguei durante cerca de 1 hora no parque de campismo).

A minha Xtracycle está meia escondida pela 
motorizada, mas podem ver ali o motor à vista


O percurso de GPS (apenas de regresso) pode ser visto aqui e aqui.

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E com esta mensagem acabo o périplo das mensagens relativas à transmissão do velomobile.

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PS: depois de ver aquele gráfico que fiz, começo a considerar muito seriamente a hipótese de um Rohloff para o velomobile (assim ele nasça efectivamente e valha a pena o investimento).
:)

sexta-feira, 22 de maio de 2015

DIY Velomobile - a transmissão (II_b)

No meu post anterior (podem lê-lo aqui) partilhei convosco algumas das escolhas que tive de fazer para a transmissão do velomobile.

Com o meu kit Bafang, acabo por ter 46 dentes na pedaleira, o que me limita muitíssimo a amplitude de mudanças de que o Velomobile necessita. Se tiverem interesse, podem ver o vídeo seguinte da electricbikereview.com que me esclareceu algumas dúvidas na altura de tomar a decisão de compra.

Este vídeo no Youtube ajudou-me a tomar a minha decisão.
Eles têm centenas de testes a diferentes bicicletas
com kits eléctricos distintos!

Nessa altura equacionei a utilização de cubos de mudanças com 11 ou 14 velocidades. Pensei, ainda nos dual drive (com cassette e mudanças de cubo).

A primeira ideia que me surgiu foi, então, a de utilizar um cubo Shimano Alfine de 11 velocidades.

Fotografia do cubo de mudanças Alfine 11, 
disponível no site www.bike24.com


Nunca utilizei nenhum cubo de mudanças deste modelo, pelo que tive de investigar características, pesos, vantagens e desvantagens. Em conclusão, e com o precioso saber da Cenas a Pedal, constatei que há relatos de pessoas quanto à fiabilidade destes cubos quando comparados com os seus antecessores de 8 velocidades.

Adicionalmente, verifiquei que este cubo é bastante pesado, com 1670 gramas de peso, tem uma amplitude de mudanças relativamente curta e é uma solução bastante cara.

Quanto ao peso, por comparação com uma solução de cassete, o cubo é, pois, bastante mais pesado.

Quanto às relações, neste site encontrei as várias relações do cubo, tendo de seguida criado a tabela que junto abaixo, para poder ter uma ideia mais concreta de quão curta seria a dita amplitude.

Considerando que o kit Bafang BBS01 250watts tem a pedaleira com 46 dentes e considerando, também que o cubo Alfine 11 apenas pode ter pinhões de entrada com 18, 20, 21, 22 ou 23 dentes, considerei aquele pinhão que me confere uma maior capacidade de subir, pois pior do que não andar muito depressa a direito é não conseguir subir. Escolhi o pinhão de 23 dentes.


Pedaleira Pinhão de entrada Rácio interno Rácio de saída Perímetro da roda traseira (26" x 1.75) em mm Km/h
46 23 0,527 1,05 2051 11,7
46 23 0,681 1,36 2051 15,1
46 23 0,77 1,54 2051 17,1
46 23 0,878 1,76 2051 19,4
46 23 0,995 1,99 2051 22,0
46 23 1,134 2,27 2051 25,1
46 23 1,292 2,58 2051 28,6
46 23 1,462 2,92 2051 32,4
46 23 1,667 3,33 2051 36,9
46 23 1,888 3,78 2052 41,8
46 23 2,153 4,31 2053 47,7
Esta tabela tem por base uma cadência muito baixa, de 60 pedaladas por minuto, o que, em bicicletas reclinadas é altamente desaconselhado, por tender a danificar os joelhos por excesso de esforço / força.

Por fim, quanto ao preço, o cubo custa cerca de € 340, mas exige, ainda, uma (re)construção de uma roda traseira para o efeito (habitualmente, num valor de cerca de € 50, se contabilizarmos os raios, o aro e a mão-de-obra), a aquisição de um tensionador de corrente (€ 15), de um manípulo de mudanças (€ 45) e do pinhão de entrada no cubo (cerca de € 7). Ou seja, para além de pesar mais, custa cerca de € 450 sem oferecer uma amplitude de mudanças substancialmente superior a uma cassete de 10 velocidades.

Ficou, portanto, afastada a hipótese de utilizar o cubo Alfine 11.

A outra solução que considerei foi a do cubo Rolhoff de 14 velocidades, muito famoso na comunidade cicloturística, com uma reputação tão inabalável quanto altos são o seu preço e peso.

Mas talvez isso possa ficar para uma próxima mensagem, pois não vos quero maçar mais hoje com pormenores técnicos.